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Pressupostos Teóricos da Terapia Cognitiva Comportamental

Novos pressupostos teóricos da Terapia Cognitiva Comportamental têm surgido no meio científico. Apesar de a Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) ter uma ênfase nos transtornos mentais, nos últimos, está expandindo seu campo de atuação por meio de várias pesquisas. Muitos pacientes com disfunções sexuais, problemas conjugais e familiares, dependentes químicos, em luto, que sofreram abuso sexual etc., se beneficiam passando pelo tratamento dentro desta abordagem de forma a melhorar seu bem-estar e sua qualidade de vida.

A Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) vem comprovando, desde a sua fundação até os dias atuais, a eficácia de suas intervenções na prática clínica psicoterápica, pautando suas contribuições sobretudo em observações empíricas e estudos teóricos. 

PRINCÍPIOS

De acordo com Wright, Basco e Thase (2008), a TCC baseia-se nos seguintes princípios:

  1. os pensamentos controlam e influenciam diretamente os estados emocionais (humor) e o como as pessoas reagem às situações; e
  2. as ações podem influenciar as cognições e os estados emocionais (humor).

Judith Beck (1997) afirma que a Terapia Cognitiva tem dez princípios básicos resumidos adiante.

Entende-se que na Terapia Cognitiva Comportamental há um interrelacionamento “(…) entre cognição, emoção e comportamento” implicando tanto “(…) no funcionamento normal do ser humano”, quanto na sua “(…) psicopatologia” (KNAPP E COLABORADORES, 2004, p. 20).

Princípio no 1: Desde a entrevista e continuamente é importante que se faça uma formulação do caso do paciente e dos problemas cognitivos que o afligem (BECK, 1997, p. 21).

Princípio no 2: “(…) Requer uma aliança terapêutica segura” (BECK, 1997, p. 21).

Princípio no 3: “(…) Enfatiza a colaboração e participação ativa” (BECK, 1997, p. 22).

Princípio no 4: “(…) Orientada em meta e focalizada em problemas” (BECK, 1997, p. 22). É importante adequar a terapia a cada indivíduo, mesmo que sejam levados em consideração os princípios da TCC aplicados a “(…) todos os pacientes” (BECK, 1997, p. 26).

Princípio no 5: “(…) Inicialmente enfatiza o presente” (BECK, 1997, p. 22).

Princípio no 6: “(…) É educativa, visa ensinar o paciente a ser seu próprio terapeuta e enfatiza a prevenção de recaída” (BECK, 1997, p. 23).

Princípio no 7: “(…) Visa ter um tempo limitado” (BECK, 1997, p. 23).

Princípio no 8: “(…) São estruturadas” (BECK, 1997, p. 23).  A estrutura das sessões terapêuticas pode ser similar “(…) para vários transtornos” (Id., p.31).

Princípio no 9: “(…) Ensina os pacientes a identificar, a avaliar e responder a seus pensamentos e crenças disfuncionais” (BECK, 1997, p. 24).

Princípio no 10: ”(…) Utiliza uma variedade de técnicas para mudar pensamento, humor e comportamento” (BECK, 1997, p. 24), as “(…) intervenções” utilizadas com cada paciente (Id., p.31).

De acordo com os “Princípios Básicos da Terapia Cognitiva Comportamental (TCC)”, da autora Judith Beck (Id., 1997, p. 21-31).

O modelo cognitivo enfatiza o modo como o indivíduo interpreta as situações ao pensar distorcida e negativamente, levando-o a conclusões irreais, o que afeta suas emoções e reações (comportamento) que podem ser emocionais/afetivas, atitudinais ou físicas.

Para Eliane Falcone (in RANGÉ, 2001, p. 50) no modelo cognitivo identifica-se “(…) três níveis de pensamento”, conforme a seguir:

1) Pensamentos Automáticos (geram respostas emocionais, físicas e comportamentais:

De acordo com Wright et al. (2008, p. 19), o fluxo de pensamento diário das pessoas é contínuo e está “(…) abaixo da superfície da mente totalmente consciente”.

Apesar de não termos consciência dos pensamentos automáticos que são geralmente mais fluidos, breves e vem espontaneamente em nossas mentes, eles são mais fáceis de serem identificados, monitorados e modificados “(…) após um treinamento adequado” na terapia (FALCONE, IN RANGÉ, 2001, p. 50).

Ao ensinar o paciente na identificação, avaliação e modificação dos seus pensamentos automáticos possibilitará que o paciente tenha um alívio quanto aos sintomas produzidos em função de suas distorções cognitivas (BECK, 1997, p. 32).

Dobson e Franche (2002) explicam que, de acordo com o “(…) modelo cognitivo da disfunção” (in CABALLO, 2002, p. 442), as pessoas percebem os eventos de forma negativa, mas enfatizam que para ocorrer uma disfunção emocional seria necessário considerar tanto “(…) os fatores cognitivos predisponentes” (in CABALLO, 2002, p. 443), quanto “(…) os processos cognitivos” (in CABALLO, 2002, p. 443).       

Para Knapp e colaboradores (2004), quando o indivíduo avalia qualquer evento de modo distorcido pode levá-lo a conclusões precipitadas e fora de propósito. As distorções cognitivas “(…) são bastante prevalentes em diferentes transtornos” (KNAPP E COLABORADORES, 2004, p. 20) e situações pelas quais as pessoas passam em suas vidas.

2) Crenças Intermediárias, condicionais ou subjacentes:

De acordo com Knapp e colaboradores (2004, p. 24) as crenças intermediárias são pressupostos “(…) subjacentes aos pensamentos automáticos”. Pode-se dizer que são padrões, regras, hipóteses, normas, premissas adotadas pelo indivíduo na medida que são cumpridas de modo a mantê-lo “(…) estável e produtivo” (FENNEL, 1997, apud KNAPP, 2004, p. 25).

Caminha et al. (2003, p. 40) explicam que as crenças intermediárias ocorrem em um “(…) segundo nível de pensamento”. As representações mentais estão fixadas na mente do indivíduo, mas não são tão rígidas quanto as crenças nucleares, mas podem ser ressignificadas por serem mais “(…) maleáveis” (CAMINHA ET AL., 2003, p. 40).

3) Crenças Nucleares ou Centrais/Esquemas:

Pode-se dizer que as crenças nucleares, em um “nível mais profundo” (CAMINHA ET AL., 2003, p. 40) estão ligadas ao modo como o indivíduo internaliza as suas ideias a respeito de si próprio, das pessoas e do mundo em que está inserido por meio das aprendizagens relevantes que ficaram cristalizadas em suas mentes desde a sua mais remota infância e se tornaram “(…) verdades absolutas” (BECK, J., 1997, p. 30). O indivíduo tem mais dificuldade de modificá-las, porque elas o protegem internamente das vicissitudes da vida.

Os esquemas são estruturas mentais que interligam as crenças da pessoa direcionando seus comportamentos nas mais diversas situações. Normalmente são “(…) evocados por estressores e fatores precipitantes” (CAMINHA ET AL., 2003, p. 40) que ao serem tratados ou resinificados podem ajudar o indivíduo a funcionar de uma maneira mais equilibrada.

É importante frisar que no início da terapia deve-se trabalhar os pensamentos automáticos negativos, ajudando a pessoa em um segundo momento a flexibilizar suas crenças em relação a si mesma, a como ela enxerga o mundo em que vive e às pessoas de modo geral para que seja possibilitada uma melhora mais “duradoura no seu humor e no comportamento” (BECK, 2011, p. 23).

Bibliografia:

BECK, Judith S. Terapia cognitiva-comportamental: teoria e prática. 2ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 1997, p. 21-32.

CAMINHA, R.; WAINER, R.; OLIVEIRA, M.; PICCOLOTO, N. Psicoterapias cognitivo-comportamentais: teoria e prática. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003, p. 40.

DOBSON, K. S.; FRANCHE, R. A prática da terapia cognitiva. IN: CABALLO, V. (Org.). Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento. São Paulo: Santos Editora, 2002, p. 442-443.

FALCONE, Eliane. Psicoterapia cognitiva. IN: RANGÉ, BERNARD (Org.). Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2001, p. 50.

KNAPP, Paulo; COLABORADORES. Terapia cognitivo-comportamental na prática psiquiátrica. Porto Alegre: Ed. Artmed, 2004, p. 20-25.

WRIGHT, J. H., BASCO, M. R., THASE, M. E. Aprendendo a terapia cognitivocomportamental: um guia ilustrado (M. G. Armando, Trad.). Porto Alegre: Artmed, 2008, p. 19-20.

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